segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Petista guerreiro, do povo brasileiro...

Lamentável ver as cenas gravadas do senador Lindberg Farias (PT/RJ) chutando um opositor caído no chão, ele que um dia foi cara-pintada e hoje é epenas mais um cara-de-pau. Foi xingado e revidou na porrada. Bancou o machão, como de costume. Aí vem com discursinho hipócrita de vítima. Malandro ou otário?

Só quem tem mais de 40 anos teve o (des)prazer de acompanhar de perto a ascensão e queda do petismo. O resto conhece por ouvir dizer a transformação do líder sindical que maltratava a língua portuguesa em presidente da República e, consequentemente, em mito internacional. A transição do partido mais competente para fazer oposição aos maus políticos no próprio partido dos piores políticos. A transfiguração da legenda ideológica que vendia botons e camisetas para crescer até se render à lógica de vender sua história e seus princípios para se manter no poder.

O PT acabou. Não vai sumir do mapa, até porque segue no DNA de muita gente que continua filiada ou que já pulou do barco petista. Provavelmente vai se refundar. Fez muita coisa boa para o povo mais pobre. Ajudou a vencer preconceitos. Contribuiu para diminuir a miséria. Inseriu na pauta política temas de pessoas que viviam à margem das grandes questões nacionais.

Por outro lado, prestou o maior desserviço à esquerda democrática brasileira ao trair a esperança de um eleitorado crescente que venceu resistências e passou a votar no PT. Ressuscitou a intolerância, o ódio e a polarização mais rasteira no debate eleitoral. Apequenou a divergência de ideias, empobreceu o embate partidário e disseminou a desconfiança na política e nos políticos ao consolidar o modus operandi da marginalidade no governo central do país.

Agora, uns poucos por ingenuidade resultante da lavagem cerebral da cartilha petista, outros tantos por oportunismo e malandragem, buscam (re)construir a narrativa mais conveniente para tentar preservar a imagem de seus "fulanos guerreiros, heróis do povo brasileiro", a rima pobre que não disfarça a metamorfose dos presos políticos em políticos presos. Militantes perseguidos em criminosos comuns, procurados. Por isso, "golpistas, fascistas, não passarão" e outros gritos típicos de grêmio estudantil soam falsos e até esquizofrênicos.

Ao contrário da mitologia grega e da música de Caetano, na mitomania petista Narciso se acha feio no próprio espelho. Atacam nos adversários aquilo que eles próprios representam. Parafraseando outro poeta, Cazuza, a narrativa do PT não corresponde aos fatos. A nossa política (que é a deles, há 14 anos) está cheia de ratos. Transformaram o país inteiro num puteiro para ganhar mais dinheiro e, pior, o futuro repete o passado num museu de grandes novidades.

Tudo isso para dizer o seguinte, num contexto em que figurões do PT vão para a cadeia (alvíssaras!) e outros mandatários se envolvem em brigas de rua, enquanto o oráculo petista vai perdendo a divindade com questões terrenas mal explicadas, como um triplex na praia ou um sitiozinho no interior: "escracho" no político dos outros é refresco, né, petezada?

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

#ProgramaDiferente fala de Governança Democrática



A uma semana das eleições municipais de 2 de outubro, que vão escolher prefeitos e vereadores em mais de 5.500 cidades do Brasil, o #ProgramaDiferente é um especial sobre a Conferência Nacional das Cidades, realizada em Vitória, no Espírito Santo. Assista.

O tema da Governança Democrática foi predominante, mas também o momento político brasileiro esteve em pauta, com um posicionamento unânime favorável ao impeachment da presidente Dilma Rousseff e o total apoio à Operação Lava Jato e às ações do juiz Sergio Moro, da Polícia Federal e do Ministério Público.

Nesta reta final da campanha, é importante reforçar o caminho da defesa da democracia e do fortalecimento do poder local, com uma visão moderna e sustentável sobre a gestão das cidades, principalmente em áreas sensíveis e estratégicas como Educação, Saúde, Segurança, Cultura, Mobilidade Urbana e Finanças Públicas.

Foram destacadas as presenças de Luciano Rezende, prefeito de Vitória (ES); Duarte Júnior, prefeito de Mariana (MG); Cristovam Buarque, senador (DF); Davi Zaia, deputado estadual (SP); Carlos Fernandes, ex-subprefeito da Lapa (SP); Renato Casagrande, presidente da Fundação João Mangabeira (PSB); Renata Bueno, deputada no Parlamento Italiano; Roberto Freire, deputado federal (SP); e Alberto Aggio, presidente da FAP (Fundação Astrojildo Pereira).

O programa também apresenta o Ranking de Eficiência dos Municípios, ferramenta virtual lançada pela Folha de S. Paulo, em conjunto com o Datafolha, que mostra quais prefeituras entregam mais serviços básicos à população usando menor volume de recursos financeiros.

Quase um ano depois da tragédia de Mariana, que deixou 19 mortos, destruiu completamente o distrito de Bento Rodrigues e causou prejuízos e danos ambientais irreparáveis em toda a extensão do Rio Doce, de Minas Gerais até o Espírito Santo, há também uma homenagem de vários artistas e personalidades no clipe "Cacimba de Mágoa", música do grupo Falamansa e Gabriel, O Pensador.

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Receita de mexidão petista: tem Haddad na manteiga, ex-ministro preso e Lula à doré na panela da Lava Jato

Para quem achava que a Operação Lava Jato seguia em banho-maria, os chefes da força-tarefa que atua em Curitiba serviram um prato bem indigesto nessa reta final das campanhas municipais.

Além de transformar Lula em réu, com indícios quentíssimos de corrupção, enriquecimento ilícito e ocultação de bens, a prisão do ex-ministro Guido Mantega apimenta ainda mais as investigações.

Uma dúvida sobre os novos ingredientes desse mexidão petista: O prefeito Fernando Haddad (PT) vai ser frito ou cozido no Mantega?

Porque, se um dos motivos da prisão é o repasse de dinheiro oriundo de propina para o pagamento de dívidas das campanhas eleitorais de 2012, e se um dos mais notórios beneficiados desses repasses, segundo já foi delatado à Lava Jato, seria o candidato Haddad, teremos aí pela frente dias de grandes revelações e de fortes emoções.

Nesta sexta-feira, 23 de setembro, às 13h30, acontece mais um debate entre os candidatos à Prefeitura de São Paulo. Esperamos que os jornalistas do SBT, da Folha e do UOL, sempre tão bem informados, avancem algumas casas nesse tabuleiro da Lava Jato e tirem esses encontros do fogo brando que vem sendo conduzidos até então.

A receita está na mesa, não se sabe se saída prontinha da cozinha planejada do triplex do Guarujá ou do forno à lenha do sítio de Atibaia.

Mas, enfim, quem vai se servir primeiro? Como vão se comportar os adversários do petista no debate? Quais os próximos atos da militância petista - nas ruas e nas redes - para tentar desqualificar o trabalho de promotores, procuradores, policiais e juízes da Lava Jato? Que tal um sal de fruta para engolir mais essa? :-)

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Chegou a hora de eleger Soninha 23023 e Claudio Fonseca 23000 para a Câmara de São Paulo

O PPS paulistano tem um time completo de candidatos e candidatas nas eleições de 2016, mas pelo menos dois nomes já foram testados e aprovados na função de vereador: Soninha Francine (23023) e Claudio Fonseca (23000). Precisamos fazê-los retornar à Câmara Municipal de São Paulo, para o bem da cidade.

A jornalista Soninha Francine foi vereadora de 2005 a 2008. Depois, foi lançada duas vezes candidata à Prefeitura de São Paulo pelo PPS, nas eleições de 2008 e 2012.

A marca da Soninha é a #VidaDeVerdade

Com as suas campanhas, pautou pela primeira vez assuntos que hoje se tornaram rotineiros, como mobilidade urbana, ciclovias, a aproximação entre moradia e local de trabalho, a transparência e a "tradução" daquilo que acontece na Prefeitura e na Câmara.

Entre as suas propostas, estão a atenção do poder público aos moradores de rua, o cuidado com os animais, políticas públicas para mulheres, juventude e LGTB, cultura, esporte, sustentabilidade. Vote 23023.

O professor Claudio Fonseca foi vereador por dois mandatos: de 2001 a 2004 e de 2009 a 2012.

A sua marca é #EducaçãoSempre.

Presidente do Sindicato dos Profissionais em Educação no Ensino Municipal de São Paulo (SINPEEM), ampliou ainda mais sua atuação com a defesa e a luta por valorização, melhores condições de trabalho e direitos funcionais para os profissionais de educação, aliando este seu trabalho à defesa da escola pública gratuita, para todos, nos diversos níveis e modalidades de ensino.

Ele defende a educação como ação estratégica para o desenvolvimento humano, social, econômico, técnico e científico. Vote 23000.

terça-feira, 20 de setembro de 2016

Como lidar com Haddad atacando a Lava Jato?



O prefeito Fernando Haddad (PT), em campanha à reeleição na cidade de São Paulo, compareceu ao ato pró-Lula, um dia após o ex-presidente ser denunciado à Justiça pelo Ministério Público Federal, e criticou duramente a força-tarefa da Operação Lava Jato. Se a elevadíssima rejeição já afastava Haddad do 2º turno, imagine agora... Enfim, São Paulo agradece. Tchau, querido! Assista.

O be-a-bá da oratória e do populismo de Lula



Vem repercutindo bastante o pronunciamento feito por Lula no dia seguinte do Ministério Público Federal denunciá-lo à Justiça e da força-tarefa da Operação Lava Jato apontá-lo como o "comandante máximo do esquema de corrupção". Isso porque o contra-ataque do ex-presidente é uma verdadeira aula de oratória e populismo. É uma espécie de be-a-bá do lulismo, uma cartilha ilustrada dos melhores (ou piores?) momentos de Lula. Assista.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva convocou a imprensa para atacar os procuradores e dizer que "construíram uma mentira como um enredo de novela". O #ProgramaDiferente acompanhou e produziu matéria especial sobre este declínio do maior líder petista. É mais um capítulo da "narrativa do golpe", com Lula e seus coadjuvantes. Veja também a íntegra do pronunciamento.

O petista afirmou que anda de "cabeça erguida" e que irá a pé para a prisão se alguém provar que ele é corrupto. "Conquistei o direito de andar de cabeça erguida neste país. Provem uma corrupção minha, que eu irei a pé para ser preso", disse Lula.

O ex-presidente foi denunciado pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso que envolve um tríplex em Guarujá, no litoral de São Paulo. O pronunciamento de Lula foi marcado por lágrimas, num discurso emocional interrompido por gritos de "guerreiro do povo brasileiro". Ele estava rodeado por militantes, líderes de movimentos sociais e centrais sindicais, além de parlamentares, políticos do PT e de partidos aliados.

Ele começou sua fala com duras críticas à entrevista coletiva dada na véspera, quarta-feira, 14 de setembro, pela força-tarefa da Lava Jato. "Eu não vou fazer um show de pirotecnia, como fizeram ontem; não vou me comportar como ex-presidente da República; não quero me comportar como um cara perseguido, como se estivesse reivindicando algum favor", disse.

"Minha declaração é de um cidadão indignado com as coisas que aconteceram e que estão acontecendo. Neste país, tem pouca gente com a vida mais pública, mais fiscalizada do que a minha", afirmou.

"Tenho consciência de que o meu fracasso teria agradado os meus adversários, o meu fracasso não teria despertado tanto ódio contra o PT. O que despertou essa ira foi o sucesso do nosso partido", afirmou, ao defender que os petistas saiam às ruas de camisa vermelha, orgulhosos, assim como ele e o presidente nacional do PT, Rui Falcão, vestiam no ato de desagravo.

Não faltaram declarações polêmicas e provocações, como ao se comparar a Jesus Cristo, ou ainda ao associar o caso da apreensão de um helicóptero com drogas aos adversários. Ele ironizou: "Viram cocaína: tinham provas, mas não tinham convicção". Era uma referência nada sutil à declaração atribuída aos procuradores, como estratégia da defesa petista (mas não foi bem isso que eles disseram).

Veja também:

"O Analfabeto Político", de Brecht, por Rolando Boldrin no #ProgramaDiferente

Criação de Marcelo Tas e Fernando Meirelles: O repórter Ernesto Varela, direto dos anos 80, mais atual do que nunca, para o #ProgramaDiferente

Relembre no #ProgramaDiferente a campanha das #DiretasJá da década de 80 e compare com o movimento atual contra o impeachment

#ForaTemer nas ruas: eleições diretas já ou daqui a pouco?

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Haddad vira "escada" para Erundina atacar Marta

No humor, "escada" é aquele que prepara a piada para o desfecho do comediante principal.

 No debate #GazetaEstadão deste domingo, que ficou entre a comédia involuntária e o drama, pela pobreza do conteúdo, o papel de coadjuvante coube ao prefeito Fernando Haddad (PT).

 Em todas as oportunidades que teve de se manifestar, o atual prefeito (que afunda nos índices de rejeição elevadíssimos) fez críticas indiretas à candidata Marta Suplicy (PMDB), levantando a bola para Luiza Erundina (PSOL) concluir a jogada.

Ficou evidente essa aliança pontual de Haddad e Erundina contra Marta, ambos contando que podem herdar os votos eventualmente perdidos pela senadora, que trocou o PT pelo PMDB e por isso é tachada de "traidora" e "golpista". É uma estratégia de risco. Pode ser um abraço de afogados para a trinca oriunda do PT, enquanto Celso Russomanno e João Doria pavimentam o caminho para o 2º turno.

Restam dois debates nestas duas semanas até a eleição de 2 de outubro: na sexta-feira, dia 23, SBT e UOL inovam no horário das 13h30; e o encontro derradeiro é o da Rede Globo (que não realizou debates de 1º turno nas duas últimas eleições municipais, de 2008 e 2012), na próxima semana.

Entre esses dois embates decisivos, novas pesquisas Ibope e Datafolha vão mostrar quem tem a estratégia mais eficiente. Se Haddad funciona no papel de escada para tirar votos de Marta e, principalmente, quem cresce com isso.

Veja mais sobre as eleições:

Eleições 2016 e o "samba do paulistano doido"

Marta e João Doria no 2º turno torna-se possível

Política sem filtro é muito mais reveladora

domingo, 18 de setembro de 2016

PPS já denunciava "propinocracia" há 10 anos

A Revista Veja relembra que, há 10 anos, nas suas páginas, o secretário de comunicação do PPS/SP, jornalista Mauricio Huertas, já denunciava a "propinocracia" - termo que foi muito comentado nesta semana com a denúncia de Lula à Justiça pela força-tarefa da Operação Lava Jato.

Está no Blog ReVeja:

É possível que a força-tarefa da Lava Jato venha a cunhar no glossário da política nacional o termo ‘propinocracia’, o governo regido pela propina – sob as ordens do ‘comandante máximo’ Lula, segundo a denúncia apresentada quarta-feira.

O termo, contudo, não é novo. Em 2006, VEJA publicou na seção reservada às cartas do leitor o seguinte comentário de Maurício Rudner Huertas, a respeito do escândalo dos sanguessugas:

“Depois dos escândalos do mensalão, dos dólares na cueca e da ‘propinocracia’ instituída pelo PT, mais um vergonhoso episódio expõe de maneira nua e crua o tamanho da crise de quem não sabe o que fazer com o poder, mas quer se manter nele a qualquer custo.”

Em conversa com o blog, Huertas, que é secretário de Comunicação do PPS/SP e apresentador do #ProgramaDiferente, não reivindica a invenção do neologismo, cuja origem, passados dez anos, já não recorda, mas justifica a expressão para descrever a institucionalização da propina na gestão pública.

Sua carta de 2006 terminava assim:

“O PT definitivamente afunda até o pescoço naquilo que o ator Paulo Betti já admitiu pôr as mãos para fazer política. Essa nem Freud explica.”

sábado, 17 de setembro de 2016

#ProgramaDiferente debate 66 anos de TV no Brasil



No aniversário de 66 anos da primeira transmissão de TV no Brasil, o #ProgramaDiferente debate o momento de mudanças culturais e tecnológicas que coloca em xeque a televisão como tradicionalmente a conhecemos. Assista.

Em 18 de setembro de 1950, Assis Chateaubriand inaugurava a TV Tupi, em São Paulo, com aparelhos espalhados por ele mesmo pela cidade, para que os paulistanos pudessem conhecer aquela novidade extraordinária e até então inacessível. Era quase mágica: um rádio com imagens! Passados 66 anos, com a internet, as redes sociais e as novas tecnologias, a TV vive um momento de profundas transformações.

Nunca se produziu tanto conteúdo e nunca houve tantas formas de acessá-lo quanto hoje – por TV paga, internet, smartphones e novas plataformas. É sobre essa revolução comportamental, que dá ao espectador cada vez mais o poder de escolher o que assistir, que o programa desta semana propõe uma reflexão sobre o assunto.

Tem de tudo: entrevista especial com o jornalista e crítico de televisão Mauricio Stycer, tem imagens da inauguração de diversas emissoras, tem Silvio Santos, Xuxa, Jô Soares, Marcelo Adnet, Fabio Porchat, Lima Duarte, Jimmy Fallon... num programa especial sobre a TV dedicado ao ator Domingos Montagner, protagonista da novela Velho Chico, que morreu nesta semana e comoveu o país inteiro.

#ProgramaDiferente relembra "O Analfabeto Político", de Brecht, interpretado por Rolando Boldrin



Entre as várias falas polêmicas de Lula ao contra-atacar a força-tarefa da Operação Lava Jato, após ser denunciado à Justiça pelo Ministério Público Federal, está a referência que o ex-presidente faz aos servidores públicos que, segundo ele, apesar de serem concursados e possuírem diploma, seriam "analfabetos políticos". Reveja.

"O Analfabeto Político" é também o título de uma reflexão atemporal de Bertolt Brecht (1898-1956), poeta alemão, dramaturgo e diretor de teatro. O #ProgramaDiferente aproveita a oportunidade para relembrá-la com uma belíssima interpretação de Rolando Boldrin, ator, apresentador de TV, cantor e compositor que em 2016 completa 80 anos de idade. Assista.

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Lula contra-ataca com lágrimas, ironia e duras críticas à Lava Jato, além de apelo ao orgulho petista



Um dia após ser denunciado à Justiça pelo Ministério Público Federal e ser apontado pela força-tarefa da Operação Lava Jato como o "comandante máximo do esquema de corrupçãono governo federal, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva convocou a imprensa para atacar os procuradores e dizer que "construíram uma mentira como um enredo de novela". O #ProgramaDiferente acompanhou. Assista matéria especial. É mais um capítulo da "narrativa do golpe", com Lula e seus coadjuvantes.

O petista afirmou que anda de "cabeça erguida" e que irá a pé para a prisão se alguém provar que ele é corrupto. "Conquistei o direito de andar de cabeça erguida neste país. Provem uma corrupção minha, que eu irei a pé para ser preso", disse Lula em tom emotivo durante pronunciamento que durou mais de uma hora no auditório do segundo subsolo do Novotel Jaraguá, no centro de São Paulo.

"Eles construíram uma mentira, construíram uma inverdade, como se fosse um enredo de uma novela e está chegando o fim do prazo. Afinal de contas, já cassaram o Cunha, já elegeram o Temer pela via indireta, com o golpe, já cassaram a Dilma. Agora, precisa concluir a novela. Quem é o bandido e quem é o mocinho? Vamos agora dar o fecho, acabar com a vida política do Lula", afirmou o próprio.

O Ministério Público Federal  e a Justiça Federal do Paraná, que integram a força-tarefa da Operação Lava Jato, disseram que não comentariam as declarações de Lula. O ex-presidente foi denunciado pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso que envolve um tríplex em Guarujá, no litoral de São Paulo. A ação chegou nesta quinta-feira, 15 de setembro, às mãos do juiz federal Sérgio Moro, responsável pelos processos da Lava Jato na primeira instância.

O pronunciamento de Lula foi marcado por lágrimas, num discurso emocional interrompido por gritos de "guerreiro do povo brasileiro". Ele estava rodeado por militantes, líderes de movimentos sociais e centrais sindicais, além de parlamentares, políticos do PT e de partidos aliados. Sua mulher, Marisa Letícia, não participou do evento.

Ele começou sua fala com duras críticas à entrevista coletiva dada na véspera, quarta-feira, 14 de setembro, pela força-tarefa da Lava Jato. "Eu não vou fazer um show de pirotecnia, como fizeram ontem; não vou me comportar como ex-presidente da República; não quero me comportar como um cara perseguido, como se estivesse reivindicando algum favor", disse.

"Minha declaração é de um cidadão indignado com as coisas que aconteceram e que estão acontecendo. Neste país, tem pouca gente com a vida mais pública, mais fiscalizada do que a minha", afirmou.

O petista relembrou a sua trajetória política desde a época que era líder sindical até o momento atual, no qual declarou que, se quiserem derrotá-lo, que seja "nas ruas". Contou que passou fome, que foi o primeiro de oito irmãos a conquistar um diploma e declarou que tem orgulho de ter criado "o mais importante partido de esquerda da América Latina".

"Tenho consciência de que o meu fracasso teria agradado os meus adversários, o meu fracasso não teria despertado tanto ódio contra o PT. O que despertou essa ira foi o sucesso do nosso partido", afirmou, ao defender que os petistas saiam às ruas de camisa vermelha, orgulhosos, assim como ele e o presidente nacional do PT, Rui Falcão, vestiam na entrevista.

Em tom indignado, Lula voltou a negar ser dono do tríplex em Guarujá e do sítio em Atibaia (SP). Segundo as investigações, os dois imóveis foram reformados para o uso de Lula e de sua família, por empreiteiras investigadas pela Lava Jato, com dinheiro desviado da Petrobras.

"Eu tenho a consciência tranquila. Mantenho o bom humor porque eu me conheço, sei de onde eu vim, sei para onde vou. Sei quem me ajudou a chegar onde cheguei. Sei quem quer que eu saia e quem quer que eu volte", garantiu.

Emocionado, Lula chorou várias vezes: ao falar sobre a denúncia, sobre as buscas que a Polícia Federal fez em sua residência, nas casas de seus filhos e na sede do Instituto Lula em março deste ano, e ao mencionar o nome de sua mulher, que também foi denunciada pelo Ministério Público Federal.

Não faltaram declarações polêmicas e provocações, como ao se comparar a Jesus Cristo, ou ainda ao associar o caso da apreensão de um helicóptero com drogas aos adversários. Ele ironizou: "Viram cocaína: tinham provas, mas não tinham convicção". Era uma referência nada sutil à declaração atribuída aos procuradores, como estratégia da defesa petista (mas não foi bem isso que eles disseram). Vamos acompanhar o desenrolar dos fatos.

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Ministério Público aponta Lula como "comandante máximo" da corrupção investigada na Lava Jato

Para não deixar dúvidas, a força-tarefa da Operação Lava Jato desenhou ao denunciar formalmente o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a mulher dele, Marisa Letícia, e mais seis envolvidos no esquema de corrupção instituído na última década pelo PT no governo federal.

O procurador Deltan Dallagnol afirmou pela primeira vez, didaticamente e com todas as letras, que Lula era o "comandante máximo do esquema de corrupção identificado na Lava Jato". Veja a íntegra das denúncias.

Diante da acusação de que Lula é o "verdadeiro maestro dessa orquestra criminosa, o seu real comandante", a defesa alega "falta de provas", além de dizer que o ex-presidente e sua mulher "negam pública e veementemente" todas as denúncias do Ministério Público Federal, às quais tacham de "mentirosas" e "políticas". Ora, nada além do papel esperado do advogado de qualquer criminoso.

Por outro lado, também não nos surpreenderá se, em breve, diante de tantas evidências de corrupção e enriquecimento ilícito, for pedida a prisão de Lula. Afinal, se ele é de fato o chefe do esquema, como dizem os promotores, não tem motivo para ficar solto. Até porque todos que estavam abaixo do chefe, na hierarquia desta "propinocracia" e deste "lulocentrismo", foram detidos.

O Ministério Público Federal afirma que o ex-presidente teve "acréscimos patrimoniais ilegais oriundos de propinas repassadas de modo disfarçado". Na denúncia contra Lula, o MPF pede o confisco de R$ 87 milhões. O procurador Deltan Dallagnol afirma que a propina destinada diretamente ao ex-presidente supera a quantia de R$ 3 milhões.

Segundo a denúncia, Lula poderia ter determinado a interrupção do esquema criminoso. "Essas provas demonstram que Lula era o grande general que comandou a realização e a continuidade da prática dos crimes com poderes para determinar o funcionamento e, se quisesse, para determinar sua interrupção", afirmou Dallagnol, concluindo: "Lula conspirou contra a Operação Lava Jato."

De acordo com o procurador, a LILS, empresa de palestras do ex-presidente, e o Instituto Lula receberam mais de R$ 30 milhões de empresas investigadas na Operação Lava Jato – o que representa ‘parcela significativa’ dos R$ 55 milhões aportados nas duas instituições. "O PT e, particularmente Lula, eram os maiores beneficiários dos esquemas criminosos de macro corrupção no Brasil", disse.

Defendendo a tese de que Lula era o comandante do Petrolão (e, antes, do Mensalão), o Ministério Público Federal sustenta que “Lula decidiu em última instância e em definitivo acerca da montagem do esquema e se beneficiou de seus frutos: governabilidade assentada em bases espúrias; fortalecimento de seu partido – PT –, pela formação de uma reserva monetária ilícita para abastecer futuras campanhas, consolidando um projeto, também ilícito, de perpetuação no poder; enriquecimento com valores oriundos de crimes”.

Segundo a força-tarefa da Lava Jato, todas essas vantagens indevidas estiveram ligadas ao desvio de recursos públicos e ao pagamento de propina a agentes públicos e políticos, agremiações partidárias e operadores financeiros. Assim, sustentam os procuradores, Lula foi o mentor e o grande beneficiário do esquema de propinas na Petrobras.

Eles imputam sete atos de corrupção passiva e 64 de lavagem de dinheiro ao ex-presidente. Isso porque o ex-presidente foi responsabilizado diretamente por todos os pagamentos de propina feito pela OAS aos ex-diretores da Petrobras Paulo Roberto Costa e Renato Duque e ao ex-gerente da estatal, Pedro Barusco, em três contratos da construtora para obras em refinarias.

Já as acusações por lavagem de dinheiro são relacionadas à aquisição, reforma e mobília do apartamento tríplex no Guarujá, bancadas pela OAS, bem como ao pagamento de uma transportadora para o transporte e armazenamento de bens recolhidos por Lula do Palácio Alvorada depois que concluiu seu mandato. Vem muito mais por aí...

O repórter Ernesto Varela, direto dos anos 80, mais atual do que nunca, para o #ProgramaDiferente



O tipo de reportagem que o #ProgramaDiferente faz hoje, abordando assuntos e personalidades de forma direta, indiscreta e irreverente, não chega a ser novidade. O repórter Ernesto Varela, que perguntava aquilo que todo mundo queria saber, mas ninguém tinha coragem de perguntar, já fazia isso há mais de 30 anos. Para quem não conhece, é uma criação genial de Marcelo Tas e Fernando Meirelles no período final da ditadura militar e que revolucionou o humor e o jornalismo.

Aqui você relembra alguns momentos memoráveis do personagem Ernesto Varela na época da campanha pelas Diretas, entrevistando o então líder sindical Lula e outras personalidades que fariam parte da história política do país, como Fernando Henrique Cardoso, Paulo Maluf, Eduardo Suplicy, Marta (bem antes de entrar para a política), com perguntas e respostas hilárias. Direto dos anos 80, mas parece mais atual do que nunca! Assista.